Vitória esmagadora<br>do MPLA em Angola
Na passada sexta-feira, dia 5, realizaram-se eleições legislativas na República Popular de Angola, escrutínio que foi acompanhado por muitos representantes da comunidade internacional, com relevo para observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP e da União Europeia. Dois dias depois, com 90% dos votos contados, o MPLA registava uma vitória esmagadora de mais de 80% dos votos apurados, seguindo-se a UNITA com 10,5% (muito abaixo dos 34% obtidos em 1992) e o Partido da Renovação Social - PRS com 2,9%, sendo praticamente residuais os resultados obtidos pela mais de uma dezena das restantes formações políticas que foram admitidas ao acto eleitoral. Isaías Samakuva, líder da UNITA, acusou o escrutínio de «múltiplas irregularidades» e reclamou a repetição das eleições, para na segunda-feira reconhecer a legitimidade dos resultados, mas a maioria dos observadores internacionais considerou as eleições «livres e justas», nomeadamente os representantes da União Europeia e 80 observadores da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), que as declararam «livres, credíveis e pacíficas», enquanto a CPLP validava o escrutínio assinalando que houve «anomalias de origem técnica» que não tiveram «influência no resultado». No mesmo sentido se pronunciou a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), que declarou as eleições «livres, regulares e transparentes», bem como a missão de observadores do Parlamento Panafricano.